Gripe Suína. Possíveis Impactos ao Negócio X Trabalho Remoto

30 abr, 2009 | Nenhum Comentário »

Falamos a alguns anos sobre a necessidade de integrar o homeoffice as nossas operações normais para reduzir os impactos biológicos, químicos ou nucleares, incluindo um eventual e potencial surto pandêmico. Porém, só agora, frente a um incidente pandêmico é que os governos e a maioria das empresas estão fazendo isto as pressas e muitas de maneira desordenada.

Realizamos um evento todos os anos no dia 11 de Setembro em São Paulo chamado Global Risk Meeting, que neste ano de 2009 estará em sua 4a. edição. Nas últimas duas edições, trouxemos representantes da indústria farmacêutica para falar sobre Influenza e a ameaça de uma pandemia, pois, baseando-se nas inúmeras falhas e descasos dos governos ao longo dos últimos 50 anos em relação a Riscos Ambientais, precisávamos alertar nossos clientes e mercado quanto a estas ameaças cada vez mais reais. Infelizmente, neste momento a OMS – Organização mundial de Saúde elevou o alerta para o nível 5, que é: “vírus se transmite de pessoa para pessoa em pelo menos dois países de uma região monitorada pela OMS. A pandemia é iminente”.

Tivemos algumas experiências ruins anteriormente, em 1968, uma pandemia chamada “gripe de Hong Kong” matou cerca de 1 milhão de pessoas no planeta. E com o surgimento da gripe aviária, em 1997, que matou centenas de pessoas. Felizmente, nenhuma destas afetou gravemente a América Latina. Agora a situação é diferente!

Quando falamos sobre a ameaça de indisponibilidade de local de trabalho, o trabalho remoto ou homeoffice já era a melhor solução para minimizar a exposição e manter produtividade a vários anos, mas, porque as empresas não fazem as análises para este tipo de recurso durante o desenvolvimento dos seus planos de continuidade. A globalização e a Internet permitem que hoje tenhamos muitas condições tecnológicas a disposição para que negócios continuem sem a necessidade das pessoas estarem uma ao lado da outra.

A maioria das empresas ao desenvolver seus planos de continuidade focam muito no TI e esquecem das pessoas do TI. Não existe TI sem pessoas. Não existe análise de riscos de TI sem pessoas. Não existe Gestão de Serviços de TI, ITIL ou ISO 20000 sem pessoas. Gestão é baseada em pessoas! Segurança da Informação e Continuidade também são baseadas em pessoas! E Continuidade de Negócios não é TI. Continuidade de Negócios é uma disciplina de riscos estratégicos que considera O NEGÓCIO seja ele muito informatizado ou não. E como não existe muitos tipos de negócios sem pessoas, considere as pessoas como um ativo importante para a continuidade dos negócios.

Ao analisarmos riscos de uma localidade para um Plano de Continuidade, temos que considerar as ameaças humanas, naturais, físicas, político-econômicas e tecnológicas. Em qual uma epidemia ou pandemia se encaixa? É humana, natural ou física?

Embora a anos, os profissionais que atuam seriamente em Continuidade, mencionando a frase: E se o seu pessoal estiver indisponível? O que sua empresa faz? E ouvindo a resposta clássica de muitos clientes: “Não fazemos nada! Deixem de ser paranóicos! É impossível ficarmos com mais de uma ou duas pessoas indisponíveis na área de TI ou de negócios.” E deveríamos perguntar imediatamente: É impossível mesmo? Tem certeza? Seu TI funciona sem pessoas? Suas áreas de negócios funcionam sem pessoas?

Ao desenvolver um Plano de Continuidade deve-se questionar as áreas de negócios participantes sobre:
1- Qual a quantidade de pessoas atuais para a realização destes processos de negócios?
2- Qual a quantidade mínima em caso de emergência para a realização destes processos de negócios?
3- Quem são (Cargos)? Do que precisam para executar e manter o processo em funcionamento (TI e outros)?
4- Quanto tempo o processo pode ficar inoperante? Quais os seus impactos (Financeiros, Institucionais, de Imagem e Legais)?
5- Quem dessas pessoas pode trabalhar remotamente, de casa?
a. Precisam ter acesso à e-mail corporativo? A rede interna?
b. Precisam de token ou outro recurso de segurança?
c. Precisam de telefone? (Dependendo pode-se utilizar VOIP)

Imagine agora empresas de Internet que não podem ter suas equipes de TI trabalhando no escritório no México. Será que todas estavam preparadas? Será que havia um plano de continuidade e avaliaram este cenário de crise?

Continuidade de Negócios não é luxo de empresa grande. Não é algo para mostrar aos auditores. É algo para se garantir a integridade e a vida dos profissionais das empresas. É algo para garantir o funcionamento das áreas mais críticas e importantes do negócio. É algo para garantir a sobrevida da empresa durante uma crise.

Nos EUA, Wall Street abriu em alta nesta quarta-feira, mesmo com dados indicando que a economia dos EUA encolheu a um ritmo mais acelerado que o esperado, porém, os investidores observavam além do crise econômica mundial para a gripe suína em busca de sinais de que a recessão estivesse diminuindo.

“Esta gripe Porcina em curso, além de causar diretamente perdas humanas, terá um impacto sobre os mercados financeiros e sobre as transações comerciais”, disse o sub-secretário- geral da ONU para os Assuntos Econômicos e Sociais, Sha Zukang no encontro ministerial sub-regional do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas que decorre em Beijing, na China.
Estima-se que o impacto macroeconômico global desta pandemia de gripe pode causar a morte de até 1,5 milhão de pessoas e impactos financeiros em torno de US$ 350 bilhões (dólares).
Os mercados financeiros estão de olho na disseminação do vírus, mas até agora o impacto econômico em grande parte tem se restringido ao turismo, entretenimento, educação e comércio, negativamente, principalmente onde os casos estão sendo detectados, e a indústria farmacêutica, nesta positivamente.

Para garantir a viabilidade das empresas e de proteger a saúde e a segurança dos seus colaboradores, aqui estão os 10 passos que você deve considerar:
1. Manter trabalhadores informados dos riscos ambientais e encaminhá-los para as equipes de saúde e segurança interna da empresa ao menor indício de sintomas ou locais indicados pelo Governo Federal e ANVISA.
2. Fornecer informações impressas para que os trabalhadores levem para suas casas e famílias. Para que cuidem de seus entes queridos e mantenham cuidados básicos de higiene e saúde. E também monitorem os mesmos sobre os sintomas.
3. Os Planos de Continuidade devem considerar as famílias dos trabalhadores afetados, pois, com problemas deste tipo nas famílias, dificilmente estarão disponíveis ou sendo produtivos na empresa. Apoio e suporte é sempre muito bom para ações de gerenciamento de crise.
4. Artesanalmente, se for o caso, executar uma política emergencial que permita o pessoal crítico para trabalhar remotamente. Para isto envolva rapidamente equipes de Continuidade, Segurança da Informação, Segurança-Saúde e Meio Ambiente, Relações Públicas e Comunicação, Ambulatório/ou médicos da empresa e siga orientações da OMS, Ministério da Saúde e ANVISA.
5. Utilizar VPN (Virtual Private Networking) para facilitar o acesso remoto seguro. Analisar para as pessoas criticas se tem: laptops, ou se os PCs da casa delas permite as configurações de segurança para uso de VPN, antivírus e outros controles exigidos pela empresa.
6. Aumento e / ou teste de banda para garantir que todas as pessoas críticas serão capazes de utilizar VPN simultaneamente e trabalhar eficazmente.
7. Virtualização de registros vitais, documentos impressos via WEB para permitir consultas remotamente, com controle por senhas de acesso..
8. Considere-aplicações baseadas na WEB de gestão de documentos, empresa de gestão de recursos, e pontualidade.
9. Considere o uso de plataformas de computação em nuvem como uma solução a longo prazo para fazer aplicações críticas via web disponíveis e acessíveis remotamente.
10. Coloque a saúde e segurança do seu pessoal em primeiro lugar! Garantir a vida das pessoas, esta é a primeira diretriz para o Plano de Continuidade e não TI.

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