Lamentável: apagão, vela e banho de caneca!

21 jun, 2011 | Nenhum Comentário »
Ciclone extratropical Sul-Sudeste

Ciclone extratropical Sul-Sudeste

Era o último dia do GRC International e DRI Day América Latina (www.grc-inter.com), evento organizado pela DARYUS aqui em SP, e ficamos o dia todo falando de continuidade de negócios, gestão de riscos e crises, com vários especialistas mundiais e brasileiros, e tive que ouvir a piadinha de um colega ao final do dia: “Legal, são bem realistas, conseguem até ter um ciclone para fechar um evento com este tema.”

Piadas a parte, nós paulistas acostumados a mudanças de clima abruptas geralmente preparados para uma garoa, chuvinha ou friozinho de final de tarde, ficamos surpresos com o que aconteceu no fim do dia 07 de Junho na grande São Paulo. Um ciclone extratropical com chuva e ventos de até 80 km/h causou muitos estragos, trânsito acima do normal, acidentes e falta de energia elétrica em várias regiões. A queda de uma árvore sobre um carro matou o condutor,  o vendaval lançou galhos e placas sobre a rede elétrica, cortando o fornecimento de energia e água em vários bairros, e milhares de moradores ficaram sem luz, no mínimo do dia 7 até o dia 10 de junho, como por exemplo as pessoas da cidade de Sto. André-SP, além de São Caetano-SP, Mauá-SP e Diadema-SP. Ou seja, o ABC sentiu muito este ventinho mais forte!

A AES mobilizou mais de 1.000 eletricistas nas ruas da região e da Capital para tentar restabelecer a luz nos pontos afetados, pois o estrago estava feio e devido ao trânsito o deslocamento ficou lento até os pontos afetados prejudicando ainda mais. Na cidade de SP, trechos de ruas nos bairros de Pinheiros, Butantã, Lapa (Zona Oeste), Vila Mariana, Morumbi e Guarapiranga (Zona Sul), Parque São Domingos e Pirituba (Zona Norte e Noroeste) foram atingidos.

A AES Eletropaulo afirma que vai investir muito em melhorias e proteções, bem como estudar a mudança do cabeamento de energia de aéreo (postes) para subterrâneo, minimizando danos por árvores e ventos. A ANEEL vai aumentar a fiscalização dos serviços prestados após o episódio, que deixou milhares de consumidores sem luz na Grande São Paulo, no interior do Estado e em diversos outros pontos. Criticada até pelo Governador Geraldo Alckmin, que chamou a empresa de “incompetente para a função”, a companhia estuda mudanças e a hipótese de um fonte termelétrica para apoiar na geração, como se isso fosse o suficiente. “Ela (Eletropaulo) tinha 10 anos para agregar 400 megawatts de energia, mas isso venceu em 2007. Nós estamos em 2011 e até agora não agregou nenhum megawatt”, disse o governador ao portal G1.

O Eng. Prof. Reinaldo Lopes, da Engenharia Elétrica da FEI, disse as mídias que “os futuros investimentos da AES Eletropaulo deveriam ser destinados, pelo menos em parte, a cabeamento subterrâneo, pois evitariam a interrupção do abastecimento de energia por causa de tempestades, ventos e queda de árvores. Segundo o professor, “existe uma lei municipal número 14.023/05, que determina que a concessionária enterre a fiação da capital paulista.”, mas que, “Esta lei não vingou. Falta força política e judicial”, acredita.

Gestão de Riscos e Continuidade de Negócios

Estamos em 2011, e desde 1995 sabemos que o mundo mudaria muito, principalmente devido ao BOOM tecnológico e a Internet. Energia, infraestrutura pública, transporte, saúde, saneamento básico (que pra mim é saúde também) e educação são facilmente encontrados em planejamentos da época até os dias atuais. O que falhou tanto? Por que continuamos com os mesmos problemas, e as grandes cidades a beira de um colapso?

Em Gestão de Riscos Estratégicos, fundamentamos que a somatória de capacitação, planejamento, preparação e condicionamento em Continuidade de Negócios, Segurança da Informação, Riscos ambientais e outras disciplinas podem levar facilmente uma organização pública ou privada a estar melhor preparada para lidar com situações como a que passamos no dia 07 de junho.

Não é “balelez” não! É a realidade. Nua e crua. Infelizmente ganhar votos é mais importante que Planejamento e Preparação para os líderes públicos. Gostam de falar em investimentos e fazer pouco. Quem paga? O cidadão. Fazendo uma analogia com o setor privado, muitos empresários também falam muito e fazem pouco. Gostam de valorizar suas empresas para os acionistas e mercado, mas, quando uma crise acontece, são desculpas e mais desculpas. Quem paga? O cliente, o funcionário e os acionistas.

Infelizmente, estamos indo para um cenário de futuro que em torno de 5 a 7 anos teremos contas de água, luz, Word, Excell, serviços na nuvem entre outros. Cada vez mais conectado, o cidadão comum será muito dependente de energia, infraestrutura de telecomunicações, transporte e saúde. Temos dois grandes eventos no país que receberão muitos turistas e investidores, e será a Copa e Olimpíadas das redes sociais, da nuvem e de mais serviços integrados a nova realidade sócio-cultural.

Creio que com a mentalidade política de 1950, equipes públicas dirigidas por políticos e não engenheiros substituindo doutores, mestres e especialistas capacitados e experientes para por em prática planos audaciosos de reforma global de infraestrutura de serviços públicos essenciais (segurança, saúde, energia, saneamento, alimentos, transporte e telecomunicações), ficaremos em crises bem piores do que esta do dia 07/06, sempre que um ventinho ou chuvinha mais forte acontecer em um grande centro urbano.

E olhe o absurdo, ainda ouvi um político dizendo na TV: “A população não ajuda, por isso acontecem os problemas nas grandes cidades.”, Concordo em partes com ele, pois, se votaram nele é por que desejam que ele e outros pensem nisso por eles. E se as regras não são seguidas, é porque não estão claras e sendo monitoradas adequadamente.

Quando há interesse da alta administração, seja pública ou privada, as coisas acontecem e a população as segue, veja os radares e a política anti-tabagismo.

O Absurdo do descaso.

Algumas coisas são curiosas, como por exemplo há quanto tempo falamos da falta de planejamento urbano e ambiental nas zonas urbanas de grande volume no Brasil. 10, 20, 30 anos? Creio que sim. E o que se fez? Nada. Ou o insuficiente. É um jogando a culpa no outro e ponto. O que me assusta, é que estamos todos no mesmo barco!

Há quanto tempo falamos sobre árvores mortas causando problemas em SP? De chuvas detonando a cidade? De problemas com a rede elétrica? Isso tanto faz em SP, RJ e outros grandes centros.

Me questionam se SP, RJ e outros grandes centros estão preparados para situações de crises, desastres e outros frequentemente, e a resposta é NÃO!

Entenda o problema.

Bombeiros, Defesa Civil, Polícia Militar e algumas outras forças públicas merecem todo o nosso respeito, e digo mais, fazem literalmente milagres e possuem 99.9% dos seus homens praticantes de um ideal nacionalista e humano que é de se invejar. Primeiro, por causa dos baixos salários, segundo, pelos investimentos equivocados e muitas vezes errados, terceiro por politizar muitas vezes assuntos meramente técnicos, e mesmo assim fazem a diferença. São heróis! E é por isso que corrigem, até certo ponto, muitos dos erros dos políticos que não estão ligando para nada que apontamos aqui. O problema é que remediamos demais!

Gerenciar riscos é muito mais do que remediar, é estar preparado mesmo! Mapear riscos em uma cidade, como em uma empresa significa estudar mais rapidamente situações de risco, contabilizá-las, tratá-las e principalmente aplicar controles de mitigação antes que aconteçam determinados problemas.

Árvores e vento não podem ser desculpas para falhas de planejamento em gestão de riscos naturais em uma grande cidade. Falta de investimentos, podem atrapalhar, porém, não devem ser o maior obstáculo.

A gestão de continuidade de negócios é uma disciplina que pode auxiliar desde o cidadão, o pequeno empresário ou até mesmo a grande empresa a se preparar para situações adversas como esta, para manter suas funções essenciais. Isto inclui o setor público também.

Regiões que oferecem problemas de energia, poderiam ter incentivo do governo para pagar menos impostos ou impostos zero para compra de geradores ou aquecedores a gás para água de chuveiros, por exemplo.

Colocar cabeamento subterrâneo? Só se forem aprova d’água. Lembram-se das chuvas de março? SP e RJ? Pareciam piscinas, Ops! Quem não sabe disso ainda?

Bom, a iniciativa privada tem o dever de investir para minimizar os impactos, e exigir menos impostos devido a estes investimentos em Gestão de Riscos e Continuidade de Negócios, bem como prêmios de seguros menores. Porém, não exclui empresas de serviços essenciais como as de Telecomunicações e Energia a investirem muito no mesmo assunto e a praticarem mais do que falam. Poderiam investir a metade do valor da multa que receberam da Aneel que estariam muito mais preparadas.

Uma ação conjunta. Um risco menor.

Falamos sempre para as empresas que Riscos, Continuidade e Segurança são  responsabilidade de todos na organização. Esta mesma dica cabe para os serviços públicos essenciais e para a população que precisa exigir com mais fervor que o Governo, Prefeitura e empresas envolvidas atuem conjuntamente no planejamento de Gestão de Riscos Estratégicos e Continuidade de Negócios, minimizando crises e atuando mais organizadamente em situações como estas. Criar uma Secretaria de Defesa Civil também é uma ótima iniciativa!

Note, árvores mantidas pela Prefeitura não podem cair com ventos de 80 km/h em cima de cabeamento de luz e telecomunicações, que não deveriam estar ali.

O pior é que vidas são perdidas, por falta de luz, água e principalmente de atenção sobre Gestão de Riscos Estratégicos.

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